Trabalhista

ELON MUSK E O QUIET FIRING

quiet firing

O novo proprietário do Twitter, Elon Musk, pediu aos seus empregados que se comprometam com dedicação extrema ao trabalho da empresa ou serão demitidos.

Recentemente, Elon Musk disse que “Para construir um Twitter 2.0 revolucionário e triunfar em um mundo cada vez mais competitivo, devemos nos entregar totalmente, ao extremo“. Para ele, “isso significa trabalhar longas horas em alta intensidade“. E ainda reforçou: “Apenas um desempenho excepcional valerá uma nota suficiente“.

Com isso, o empresário estabeleceu prazo aos seus colaboradores para aderirem ou não a essa nova mentalidade da empresa. Aos que optarem por não continuar mais na empresa, receberão uma indenização de três meses de salário.

Segundo Musk, essa comunicação decorre da possibilidade de a empresa ir à falência se não gerar mais lucros nos próximos meses. 

No entanto, essa atitude reacende o debate sobre como o trabalhador encara seu emprego e o quanto isso pode afetar sua vida particular.

O quiet firing e a despedida silenciosa

Com medidas como a do Elon Musk, o trabalhador estaria questionando se realmente vale a pena vestir a camisa da empresa. É viável se engajar para atingir as metas de produção? É positivo trabalhar muito além da jornada normal e comprometer sua saúde? E se tudo isso vier sem aumento de salário, promoção ou reconhecimento profissional?

Atualmente, muito tem se falando recentemente sobre a desistência silenciosa (quiet firing). Esse seria o comportamento do empregado em não fazer mais do que o necessário para manter o emprego em favor de uma melhor qualidade de vida e de uma boa saúde mental. Não seria desistir do trabalho, mas, sim, trabalhar dentro de limites saudáveis. O objetivo, nesse caso, seria entregar apenas o que está previsto em contrato originalmente celebrado.

O quiet firing é uma realidade entre os mais jovens

Como resultado dessa situação, pesquisas apontam a diminuição do envolvimento dos empregados nos propósitos da empresa. E isso se manifesta entre os empregados com 33 anos ou menos.

Ou seja, é uma nova geração que entende que o sacrífico em benefício do empregador não compensa. Entre os jovens já não se vê aquela preocupação com o futuro, com a segurança de uma aposentadoria tranquila. 

Alegam, os jovens, que não se trata de desistir de trabalhar, mas de não tornar o trabalho prioridade de vida. O quiet firing é se desconectar completamente fora do horário normal de trabalho.

Reação ao quiet firing

Ante esse novo movimento, que se acentuou no período mais grave da pandemia – em que as pessoas começaram a pensar o que realmente importa na vida -, as empresas passaram a mudar sua cultura corporativa. A ideia agora é alinhar seus propósitos com os valores pessoais de seus empregados. Isso vale, principalmente, no que diz respeito à qualidade de vida, valorização, benefícios e perspectivas de carreira.

Sem dúvida, o trabalhador busca o equilíbrio entre o trabalho e a vida pessoal. É preciso trabalhar, mas também ter tempo para a convivência social e familiar. O ser humano não pode ser definido apenas por sua formação, sua profissão ou produção corporativa. 

Certamente, são tempos de mudança para todos, em busca do equilíbrio entre a satisfação pessoal e profissional do empregado e a demanda do negócio. É preciso manter o engajamento, a conexão e o resultado, mas sem perder a saúde e a qualidade de vida.

*Sócio do De Bellis Advogados Associados. Especialista em Direito do Trabalho. 

  

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